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Bullying Estraga a Cena!

Bullying Estraga a Cena


Sem nenhum termo correspondente em português, o Bullying é uma palavra inglesa utilizada para descrever atos de violência física ou psicológica provocados pelo Bully (valentão) contra alguém em desvantagem de poder, sem qualquer motivação aparente. O fenômeno, evidentemente, não é novo. Mas só virou tema de estudo no início dos anos 1980, quando o professor Dan Olweus, da Universidade de Bergen (Noruega), iniciou investigações sobre o problema dos agressores e suas vítimas nas escolas. O genocídio em Columbine foi o divisor de águas que trouxe o debate para a mídia e para outras esferas sociais.

Especialistas apontam o Bullying como a forma mais frequente de abuso psicológico praticado em diversos ambientes como escolas, locais de trabalho e até dentro da própria família, entre irmãos, por exemplo.

É possível enquadrar como Bullying desde agressões (verbais e físicas), assédios até outras ações desrespeitosas realizadas de maneira recorrente e intencional por parte dos agressores, seja por uma questão circunstancial ou por uma desigualdade subjetiva de poder. Já é apontado pelos especialistas em violência como uma das formas de abuso que mais cresce no mundo, uma vez que pode acontecer em qualquer contexto social, como escolas, universidades, famílias, entre vizinhos e em locais de trabalho. "O Bullying é um fenômeno complexo e de difícil identificação.

O bullying divide-se em duas categorias:
bullying direto;
bullying indireto, também conhecido como agressão social


Caracterização do bullying


O bullying direto é a forma mais comum entre os agressores (bullies) masculinos. A agressão social ou bullying indireto é a forma mais comum em bullies do sexo feminino e crianças pequenas, e é caracterizada por forçar a vítima ao isolamento social. Este isolamento é obtido através de uma vasta variedade de técnicas, que incluem:
espalhar comentários;
recusa em se socializar com a vítima
intimidar outras pessoas que desejam se socializar com a vítima
ridicularizar o modo de vestir ou outros aspectos socialmente significativos (incluindo a etnia da vítima, religião, incapacidades etc).

O bullying pode ocorrer em situações envolvendo a escola ou faculdade/universidade, o local de trabalho, os vizinhos e até mesmo países. Qualquer que seja a situação, a estrutura de poder é tipicamente evidente entre o agressor (bully) e a vítima. Para aqueles fora do relacionamento, parece que o poder do agressor depende somente da percepção da vítima, que parece estar a mais intimidada para oferecer alguma resistência. Todavia, a vítima geralmente tem motivos para temer o agressor, devido às ameaças ou concretizações de violência física/sexual, ou perda dos meios de subsistência.

Tipos de bullying

Os bullies usam principalmente uma combinação de intimidação e humilhação para atormentar os outros. Abaixo, alguns exemplos das técnicas de bullying:
Insultar a vítima; acusar sistematicamente a vítima de não servir para nada.
Ataques físicos repetidos contra uma pessoa, seja contra o corpo dela ou propriedade.
Interferir com a propriedade pessoal de uma pessoa, livros ou material escolar, roupas, etc, danificando-os
Espalhar rumores negativos sobre a vítima.
Depreciar a vítima sem qualquer motivo.
Fazer com que a vítima faça o que ela não quer, ameaçando a vítima para seguir as ordens.
Colocar a vítima em situação problemática com alguém (geralmente, uma autoridade), ou conseguir uma ação disciplinar contra a vítima, por algo que ela não cometeu ou que foi exagerado pelo bully.
Fazer comentários depreciativos sobre a família de uma pessoa (particularmente a mãe), sobre o local de moradia de alguém, aparência pessoal, orientação sexual, religião, etnia, nível de renda, nacionalidade ou qualquer outra inferioridade depreendida da qual o bully tenha tomado ciência.
Isolamento social da vítima.
Usar as tecnologias de informação para praticar o cyberbullying (criar páginas falsas sobre a vítima em sites de relacionamento, de publicação de fotos etc).
Chantagem.
Expressões ameaçadoras.
Grafitagem depreciativa.
Usar de sarcasmo evidente para se passar por amigo (para alguém de fora) enquanto assegura o controle e a posição em relação à vítima (isto ocorre com frequência logo após o bully avaliar que a pessoa é uma "vítima perfeita").
Fazer que a vitima passe vergonha na frente de varias pessoas.

Alcunhas ou apelidos (dar nomes)

Normalmente, uma alcunha (apelido) é dada a alguém por um amigo, devido a uma característica única dele. Em alguns casos, a concessão é feita por uma característica que a vítima não quer que seja chamada, tal como uma orelha grande ou forma obscura em alguma parte do corpo. Em casos extremos, professores podem ajudar a popularizá-la, mas isto é geralmente percebido como inofensivo ou o golpe é sutil demais para ser reconhecido. Há uma discussão sobre se é pior que a vítima conheça ou não o nome pelo qual é chamada. Todavia, uma alcunha pode por vezes tornar-se tão embaraçosa que a vítima terá de se mudar (de escola, de residência ou de ambos).

Mais grave do que parece

Uma pesquisa realizada pela Plan Brasil, em 2009, e divulgada em abril deste ano, pretendeu conhecer as situações de violência entre estudantes e Bullying nas escolas brasileiras. Ao todo, foram selecionadas cinco escolas de cada região do país, das quais 20 eram públicas municipais e 5 eram particulares. Participaram do estudo 5.168 alunos de 11 a 15 anos, além de pais e responsáveis, técnicos, professores ou gestores de escolas pesquisadas. Segundo o assessor de pesquisa e avaliação da Plan Brasil, Tarcísio Silva, os dados revelaram que 70% da amostra de estudantes responderam ter presenciado cenas de agressões entre colegas, enquanto 30% deles declararam ter vivenciado ao menos uma situação violenta no mesmo período. "A pesquisa mostrou, ainda, que o Bullying é mais comum nas regiões Sudeste e Centro-Oeste do país e que a incidência maior está entre os adolescentes alocados na sexta série do ensino fundamental", afirma.

Embora, durante as entrevistas, os participantes tenham tido dificuldade em explicitar os motivos que os levam a sofrer ou a praticar agressões, os estudantes tendem a considerar que os agressores buscam obter popularidade junto aos colegas. "Boa parte das crianças que afirmaram praticar o Bullying, disse fazer isso como forma de afirmação social, tendo esse "status" reconhecido na medida em que seus atos são observados e, de certa forma, consentidos pela omissão e falta de reação dos atores envolvidos", garante Tarcísio Silva. "Já as vítimas são sempre descritas pelos respondentes como pessoas que apresentam alguma diferença em relação aos demais colegas, como um traço físico marcante, algum tipo de necessidade especial, o uso de vestimentas consideradas diferentes, a posse de objetos ou o consumo de bens indicativos de status socioeconômico superior ao dos demais alunos, o que faz com que os agressores as considerem merecedoras das agressões dado seu comportamento frágil e inibido."

Ações para diminuir o Bullying nas escolas

De acordo com o pedagogo William Sanches, algumas atitudes podem mitigar o fenômeno nas escolas. Segundo ele, resgatar os jovens excluídos e promover neles o sentimento de pertencer à comunidade pode ser incentivado pelos educadores através de discussões, oficinas e projetos de integração como forma de trazer pais e filhos para dentro do ambiente escolar. Além de integrar escola e família, essas ações podem ajudar a criança a:

Superar a invisibilidade e recuperar a identidade social;
Valorizar as vivências sociais;
Trabalhar contra os estigmas;
Agir contra a violência;
Valorizar o respeito.

Evidentemente, não existem soluções simples para se combater o Bullying. Mas, criar procedimentos preventivos e formas de reação ágeis para evitar a ocorrência de situações de Bullying e quaisquer outras manifestações de violência entre estudantes parece ser a maneira mais eficaz de evitar que um acontecimento isolado se transforme numa prática recorrente.

O pediatra Aramis Antonio Lopes Neto, presidente do departamento científico de segurança da criança e do adolescente da Sociedade Brasileira de Pediatria, avisa que as normas dentro da escola devem ser claras, objetivas, aplicadas com rigor e transparência. "Mas, principalmente, é preciso envolver todos os agentes da escola: de alunos e funcionários a pais e comunidade, como forma de assegurar a legitimidade da aplicação do programa de prevenção", finaliza.

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